quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Sendo e somos
























Serão enigmas ou mistérios

as transformações que ultrapassamos

no misturar duas salivas

dois ritmos orgânicos

linguagens, culturas... mista essência?


Porque um fenômeno vital

invade circunstancialmente

por repleto desejo inevitável

à um outro foco de sintonia viva?


Que fronteiras são estas

que um beijo é capaz de abolir?

Que represas são estas

que um abraço consegue desfazer

e alagarem-se terrenos mutuamente?

Que calor é este que sobra

e sobe e se desdobra numa erupção

de lavas frescas como segredos e surpresas?


Que movimento é esse

que uma unitária consciência

deseja expandir-se numericamente?

Que postulado sustentará

essa ilógica do Amor

onde do infinito ao unitário

tudo pode se tornar una-sensciência?



CriaDentro











































Mais um passo

e liberdade

sempre

entre

um passo

e

outro

entre

passo pelo espaço

criando-o

meu próprio ser

cria toda a paisagem

ao pertencer-lhe

ouço:

mais um trago do vento

trago nele

mais um momento

de silêncio

que voa feito pólen

deslizo a mão pela terra

sinto o som do sol

caindo em minha pele

a infância amanhecida pelo calor

fico apaixonado, visceralmente

observando os besourinhos vermelhos

os barulhentos movimentos

a transbordar vida

em cada poro

desta geografia

que no momento me faz

e faço

da imaginação

no horizonte nasce um traço

ilhas de edição a flutuar

como barcos

olhando pra dentro de meus próprios olhos

crio minha própria condição

de encontrar do lado de fora

tudo pelo que grato sou



O que se leva da vida é a vida que se leva...









Não me interesso muito por história porque tenho um interesse inabalável no Agora, no Hoje. Mas para conhecer este hoje não seria imprescindível como o ontem tornou-se o agora? Imprescindível? Não! O que foi, o que será e o que é estão em intrínseca e constante transformação.














O passado não é imutável. Não, esta frase não é tão absurda quanto parece se você refletir um pouquinho. Pense o seguinte, o passado só existe através de uma percepção presente que você tem do mesmo. Sendo assim você pode mudar o seu passado a todo instante. Ele é tão mutável quanto o presente, tão volúvel quanto o futuro. Uma vez que agora você é capaz de mudar a sua percepção do passado, ou as convicções sobre fatos no passado, você muda-o inteiramente, dentro de você. Pense bem, o passado não existe se não em sua forma de pensá-lo agora, fora isso ele sequer pode existir. Mudando o COMO você pensa sobre o passado, você altera-o completamente. Tudo que resta do passado hoje só existe sob a forma das emoções que este passado faz em ti manifestar. Se mudas estas emoções, o passado não é mais o mesmo, já que este, na prática, sequer existe. Não existe passado, apenas o reflexo emotivo dos acontecimentos que memorizamos. Vale focar o COMO se pensa este passado, ao invés do QUE propriamente. Os fatos não mudam, mas os acontecimentos... nós os criamos e recriamos a todo instante em que pensamo-los e/ou vivemo-los.


~

Uirá

Felipe

Grano

Gaspar

~

sábado, 13 de outubro de 2007

Bom dia Dois Irmãos












Mututalidade Natural, Mutualidade Desejada

Palavras apenas, virtuais, e já podíamos antever, como num presságio causado, anterior e justamente, pelo desejo de ser (pleno), a avalanche que nos arrastaria, enfim, juntos.., numa mutualidade de independências apaixonadas. Nadamos em solos concréteis, flutuamos em sensações e emoções inéditas, de tirar do folego a capacidade de verbalizações, tão limitadoras à infinitude de tais experiências. Na vertigem de um crescimento exponencial, sorrimos, espantados, inquietamente satisfeitos diante do mergulho num mistério, tranquilamente eufóricos, que tentamos, de alguma forma na união de nossos códigos sensitivos e comunicacionais mesclados pela mutua admiração, gerar um movimento vital tal que possamos considerar como esboço para se trilhar a tentativa de compreender do Amor as curvas que o horizonte de seu significado ecoa pela nossa mutante concepção de universo. Algo cresce desde que nos encontramos, e desde então tudo no mundo parece celebrar que o que somos é exatamente aquilo que desejamos ser, e assim, vivemos felizes.

Uirá Felipe

A colher dor...














Porque sinto essa rasgante e imensa saudade inexplicável

de estar de um jeito que nunca estive

viver certos sentimentos que jamais conheci??

Quem inventou essa palavra, saudade?

Poeta, provavelmente,

seja nas palavras escritas

ou cantadas

o poeta me sufocou com

este significado tão amplo

e tão paradoxal

que se emana

de dentro de mim

filho do lusitanismo literário

nascido na america norte

mas amigado mesmo

com as culturas não verbais

do extenso brasil

que a cada dia me enriquece

com seu espírito de mãe baiana

seus braços abertos

seus sorrisos e perigos

sei jeito de não ter conceitos estáveis

só sendo sempre o mesmo

por ser assim

apaixonante, envolvente...

Acolhedor

sábado, 6 de outubro de 2007

utoviva















Vivas-Utopias-Vivas

Sou o não existir
porque existo sob qualquer forma
de existência
do virtual concreto
à concreta incompletude
Ator, atuo, aturo: velhice-juventudes cinestésicas
Sou o que seria se fosse, sendo o que não é (porque ainda não existe)
sou qualquer coisa que finge ser
e é, e não é, e sendo o que pode não ser e o que não pode, mas é
sou do paradoxo o que tem de nexo
sou da lógica e a loucura um sexo
entre semelhantes não complementares
de distancias presentes, me aproximo
mesmo quando sem querer com a vida rimo
Proximidades distantes
onipresença localizável
ecos, bocejos, variantes deuses ou universos
ou EU´s, ou formas de sentir... de ser, ecos
Sou o peso sonâmbulo
leveza imprevisível de um pendulo
entre um e outro movimento
Dos sonhos sou inocência consciente
da insônia sou sonhos acordados,
vida sonhada, criada
e de toda destreza escravizada
sou feiúra enfeitada
A beleza na pintura estigmatizada
preso (ou livre) na atemporalidade
nas palavras póstumas
no consumismo de falsas individualidade
Sou o Fugere Urbem escondido em cada cidade
o silêncio aflito de um protesto
a calmaria de um caos sem contexto
sou a mentira invertida, verdades que crio
verdades que nego
hipocrisias que ignoro
o controle disfarçado de progresso
sou também o que temo
coragem para inalar tanta sujeira
e depois voar continentes e universos
à procura de existas belezas que invento
Sou ruínas, muros da libertação
sou raízes, estações, gerações, espécies
Sou tudo que há de vertigens equilibradas
Riscos, perigos, rabiscos, rascunhos
da perfeição com que penso
vivo, aquém de toda tirania
sou a mistura alquimíaca de movimentos
Sou choque entre ondas, visíveis ecos
sou a lava vulcânica dentro dos protestos
sou o que não resta, invento-me, vivas-utopias

Uirá Felipe